quinta-feira, 7 de abril de 2011

A difícil integração latinoamericana

Sob orientação da Cepal, a América Latina tentou nos anos 1960 construir a Área de Livro Comércio Latinoamericana (Alalc). Esta iniciativa fracassou em parte porque era ambiciosa demais: não havia comércio e infraestrutura suficiente na região para dar conta de uma área de livre comércio tão integrada como se pretendia. Mas a principal responsável foram as assimetrias entre os países: algumas economias - Brasil, Argentina, México - cresciam em um ritmo mais intenso que outras - Bolívia, Equador, América Central.
A assimetria criou problemas em duas frentes. Do ponto de vista econômico, os países mais atrasados não tinham contrapartidas a oferecer para os produtos que importavam dos mais adiantados, e viam-se diante do risco de aprofundarem seu atraso econômico. Do ponto de vista político, os países mais adiantados, principalmente o Brasil do regime militar, resistia a fazer concessões para os vizinhos, alegando que era um custo alto demais para pouco mercado aberto às exportações brasileiras.
O resultado nós conhecemos: intensificaram as desconfianças entre os países - a maioria ditaduras militares -, a integração pouco avançou e os países cresceram para dentro, apoiados no endividamento externo e no mercado interno. No início dos anos 1980, a Alalc se torna Aladi (Associação Latinoamericana de Integração), e explode a crise da dívida, responsável por uma década de recessão.
Desde os anos 1980, Brasil e Argentina começaram a construir, por meio do Mercosul, uma nova forma de integração econômica. Uma de suas características é um avanço paulatino da integração, com os países dando os passos possíveis. Olhando para os últimos 20 anos, a integração econõmica entre o Mercosul é uma realidade: há troca de investimentos, comércio em moeda local, instâncias de consulta política e gestão de conflitos e uma forte aproximação entre o Pacto Andino e o Mercosul.
É incompleto? Claro que é. O Mercsoul não foi pensado para ser completo, mas para ser possível. Por isso as coisas não andam como todo mundo gostaria. O que importa é que andem.
Se há resistências a uma maior integração, é papel do Brasil, como economia regional mais forte, quebrar estas resistências investindo na integração, e não flexibilizando. Vejamos a China: o país apresenta déficit comercial de US$ 45,4 bilhões com a Ásia. Quando olhamos este déficit em detalhe, percebemos que ele está concentrado nos países com os quais a economia chinesa está mais integrada: Japão (US$ 17,7 bi), Coreia do Sul (US$ 22,1 bi) e Sudeste Asiático (US$ 5,86 bi). Com países mais distante, especialmente na Ásia Central e no Sudoeste da Ásia, a China apresenta superávit (US$ 7,8 bi).
Já o Brasil sustenta um superávit crescente com os vizinhos da América do Sul. Só no primeiro semestre de 2010 foram US$ 4 bilhões, dos quais US$ 2 bilhões com o Mercosul. Isto significa que nossos parceiros comerciais precisam exportar US$ 2 bilhões para outros mercados para financiar suas importações do Brasil. O adequado seria o Brasil promover um fluxo positivo de divisas para seus vizinhos, para estimular a integração.

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